Editorial – Lousas e Placas de Madeira


A minha avó, para além de dizer que depressa e bem há pouco quem, dizia muitos outros provérbios. Para qualquer situação tinha uma resposta cheia de sabedoria popular na ponta da língua. E nessas respostas era tão ou mais rápida do que a TheBolt.

Contradição ambulante!

Para além de um raciocínio astuto e ligeiro, também era conhecida pela rapidez com que se movimentava e atendia as pessoas na venda – chamavam-lhe Maria Pressinhas (com carinho e sem malícia). No fundo era uma contradição ambulante, porque já no seu tempo ela própria fazia depressa e bem.

Mais do que despachada a responder e a atender, era uma mulher de ideias. Se, como um relâmpago, a inspiração a atingia, partia logo para a ação. A venda era das antigas, quatro portadas, duas a duas e pedra, da que se chama hoje em dia de rústica, a encaixilhá-las. Não tinha montra, ora! Mas o bichinho da publicidade já corria na família e a Pressinhas, decidida, ordenou ao irmão que lhe cravasse numa placa de madeira: “Venda da Dona Maria”. Pendurou-a na pedra, entre as portas. Foi o primeiro reclamo da aldeia!

Da insatisfação vem a inspiração!

Não satisfeita, e dizem que da insatisfação é que vem a inspiração, achou que faltava ainda qualquer coisa. Pegou numa lousa e colocou-a na segunda prateleira a contar de cima, debaixo da imagem do Santo António, na parede atrás do balcão. Não era uma lousa qualquer vazia de ideias, era uma lousa onde todas as semanas escrevia a giz um dos seus diferentes provérbios. Uns ias buscá-los ao rol popular da memória colectiva: “Comida sem pão, só no Inferno é que a dão”; outros inventava-os ela: “ Comida sem vinho, só para o doente ou o pequeninho”. No fundo inventou à sua maneira uma espécie de blogue para a época (ou micro blogue se for para ser mais preciosista).

Depressa e bem há pouco quem…

O último provérbio que escreveu na lousa, antes de a venda fechar, foi mesmo esse em que estão a pensar: “Depressa e bem há pouco quem”.

Há dois anos atrás, muito depois de a venda ter fechado, abriu a TheBolt. Com a missão clara de fazer depressa e bem. Inspirada na Maria Pressinhas.

Hoje, com este texto, afixa a TheBolt a sua própria “lousa”. Não vamos seguir literalmente a linha editorial da minha avó, mas pretendemos seguir a mesma semântica de inspirar a criação e solucionar problemas.

Até Já!

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